בס"ד
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Gazeta Semanal de Israel para a sua Mesa
Favor não transportar este impresso no Shabat.
O Zelo e a Recompensa
Nesta semana, nos aprofundamos na intensa e transformadora Parashat Pinechás. Diante do severo declínio moral no acampamento, o ato corajoso e impetuoso de Pinechás interrompeu uma terrível praga e trouxe uma retribuição divina eterna.
Mas esta porção vai muito além: ela traça um novo censo no deserto, dita as leis de herança através do clamor justo das filhas de Tselofchad, detalha a transição de liderança para Yehoshua e estabelece o calendário sagrado de todas as nossas oferendas e festividades.
A Parashá — Hashem Recompensa Pinechás
Apesar do heroísmo de Pinechás ao conter a profanação do Nome Divino (chilul Hashem) ao confrontar Zimri, rumores maldosos começaram a se espalhar pelo acampamento, especialmente entre a tribo de Shimon, cujo líder havia sido morto. Muitos questionavam sua legitimidade apontando sua linhagem materna ligada a Yitrô, antigo sacerdote pagão.
Para defender a honra de Pinechás, Hashem interveio publicamente e proclamou que, sem a sua atitude zelosa, todo o povo teria sido destruído. Mais do que isso, declarou sua linhagem paterna nobre como neto direto de Aharon HaCohen, agindo com o mesmo princípio de salvar vidas.
- Alçado ao Sacerdócio: Antes desse ato, Pinechás era apenas um levi. Por seu mérito próprio e desprendimento, Hashem o elevou ao status de cohen, prometendo que dele descenderiam dezenas de Sumos Sacerdotes (Cohanim Guedolim) nos dois Templos futuros.
- Eternidade e Paz: Por ter trazido a paz entre os céus e a terra, Hashem concedeu-lhe longevidade extraordinária. Segundo a tradição cabalística, ele não experimentou a morte comum, transmutando-se no próprio profeta Eliyahu Hanavi, encarregado de restaurar a paz e preparar os corações no futuro.
A Campanha contra Midyan
Devido à gravidade do pecado de sedução espiritual provocado pelos midyanitas — um crime considerado pior que o assassinato físico, pois priva a alma do Mundo Vindouro —, Hashem ordenou leis excepcionais de combate contra Midyan, proibindo termos de paz imediatos e ordenando o cerco completo de suas cidades.
A Última Contagem no Deserto
Quase quarenta anos após o primeiro censo, Hashem ordena uma nova contagem antes do falecimento de Moshê. Assim como um pastor zeloso conta suas ovelhas após o ataque de lobos, Moshê conferiu seu rebanho, restando 601.730 homens aptos acima de 20 anos, todos fiéis a Hashem.
A terra de Êrets Yisrael seria dividida entre essas famílias de forma milagrosa: além da proporcionalidade populacional conduzida pelos líderes, o sorteio divino por meio de El'azar e dos Urim Vetumim fazia com que a própria porção de terra falasse espiritualmente, confirmando o destino divinamente demarcado.
As Filhas de Tselofchad e as Leis de Herança
Um dos momentos mais belos da parashá envolve cinco mulheres virtuosas e estudiosas: Machla, Chagla, Noa, Milca e Tirtsa. Filhas de Tselofchad (homem que falecera por erro próprio e não na rebelião de Côrach), elas perceberam que, pelas regras gerais, o nome de seu pai seria esquecido na divisão das terras por não possuir herdeiros homens.
"Se as filhas carregam o nome do pai, não deveriam também receber sua herança?"
Com profundo recato, mas movidas pelo imenso amor à Terra Santa, apresentaram seus argumentos haláchicos diante de Moshê e do Sanhedrin. Demonstrando humildade, Moshê levou o caso diretamente a Hashem, que respondeu: "As filhas de Tselofchad estão certas!"
A partir dali, estabeleceu-se o direito de herança para as filhas na ausência de filhos varões, contanto que se casassem dentro de sua própria tribo para preservar os territórios. Por sua retidão, Hashem operou milagres e todas foram abençoadas com filhos mesmo em idade avançada, demonstrando que as mulheres daquela geração mereceram entrar na Terra Prometida.
A Nomeação de Yehoshua
Sabendo que subiria ao Monte Nevo apenas para contemplar e abençoar a Terra de longe, Moshê pediu a Hashem um sucessor que soubesse liderar com extrema paciência e sabedoria diante da diversidade de temperamentos do povo, e que marchasse fisicamente à frente das batalhas.
Hashem escolheu **Yehoshua bin Nun**. Conhecido como o "peixe" (Nun em aramaico), Yehoshua nunca abandonava as águas da Torá e dedicava suas forças a servir na Casa de Estudos, organizando os bancos para os professores e alunos com extrema humildade.
Moshê impôs as mãos sobre ele com alegria, transferindo-lhe sabedoria e um reflexo da glória divina, iluminando a face de Yehoshua como o luar reflete o brilho do sol.
O Sentido das Oferendas e o Calendário Sagrado
No encerramento da porção, a Torá detalha as oferendas diárias (Tamid) e as adicionais (Mussaf). Hashem deixa claro que não necessita de sustento físico, mas deseja a satisfação de ver Seus filhos cumprindo Seus mandamentos com devoção.
Cada festividade possui seu caráter impresso no número de sacrifícios:
- Shabat: Oferenda dupla de dois carneiros, espelhando sua natureza de deleite físico e elevação espiritual.
- Rosh Chôdesh: Instituído para alegrar a lua após ter sua luz diminuída em relação ao sol.
- Shavuot: Marcado pela oferenda de dois pães de trigo, simbolizando que o povo alcançou a maturidade espiritual e sabedoria para receber a Torá.
- Rosh Hashaná: Dia de Julgamento em que o soar do shofar de carneiro evoca o mérito do sacrifício de Yitschac, movendo Hashem do Trono de Justiça para o de Misericórdia.
- Sucot: 70 touros oferecidos para proteger e expiar pelas setenta nações do mundo.
- Shemini Atsêret: Um banquete íntimo e exclusivo de apenas um touro entre Hashem e Israel, posicionado estrategicamente logo após Sucot para poupar o povo de uma viagem extra no inverno.
Uma História da Tradição — O Alfaiate de Roma
Na véspera de Yom Kipur, um humilde alfaiate judeu correu ao mercado para comprar o último peixe disponível para seu banquete festivo. Um servo de um influente nobre local tentou cobrir sua oferta, mas o alfaiate, determinado a honrar o dia sagrado, deu o lance exorbitante de vinte dinares e levou o peixe.
Surpreso com o ocorrido, o nobre mandou chamar o alfaiate e exigiu explicações. O judeu respondeu com dignidade: "Temos um único dia no ano em que o Criador perdoa todas as nossas falhas. Não deveríamos honrar a chegada deste Grande Dia com o melhor que temos?"
Satisfeito e tocado pela fé do homem, o nobre o abençoou e o dispensou. Pela imensa teshuvá e zelo em honrar a santidade de Yom Kipur, Hashem recompensou o alfaiate de forma milagrosa: ao abrir o peixe em sua casa, ele encontrou uma pérola valiosa em seu interior, garantindo o sustento confortável de sua família pelo resto de seus dias.
As Oferendas na Atualidade
Hoje, sem o Templo Sagrado edificado em Yerushalayim, possuímos dois substitutos perfeitos aceitos por Hashem:
| 1. Tefilat Mussaf | A reza adicional recitada nos Shabatot e Festas, onde mencionamos com palavras as oferendas exatas que costumavam ser elevadas ao altar. |
| 2. Leitura da Torá | A leitura pública dos trechos desta Parashá (no Maftir) durante as festividades. Hashem aceita o estudo dessas passagens como se tivéssemos fisicamente trazido os sacrifícios. |
Ansiamos pelo dia em que o Bet Hamikdash será reerguido, permitindo-nos vivenciar essas grandes radiâncias de bênçãos pessoalmente.
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